O ciclo contínuo de perda e ganho de peso, popularmente conhecido como efeito sanfona, afeta milhões de pessoas e ultrapassa amplamente a dimensão estética. Um alerta emitido pelo Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH) destaca que a oscilação constante de massa corporal traz prejuízos diretos ao metabolismo e eleva o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
Com base em análises científicas, o CPAH divulga orientações técnicas para guiar profissionais da saúde no combate a métodos drásticos de emagrecimento. A nutricionista e educadora física Dani Borges aponta que o problema está diretamente associado a rotinas alimentares severas e metas inviáveis de serem mantidas a longo prazo.
“Muitas pessoas iniciam regimes de baixíssima caloria sem acompanhamento profissional. Isso gera um estresse metabólico profundo e o organismo responde com o ganho de peso assim que a dieta termina”, explica a especialista.
A resposta biológica ao estresse metabólico
As pesquisas do CPAH detalham que o corpo humano possui mecanismos de sobrevivência adaptativos. Ao identificar uma redução drástica na ingestão de calorias, o organismo ativa defesas para poupar energia: desacelera a taxa metabólica, aumenta a sensação de fome e passa a armazenar gordura com maior eficiência.
Além da adaptação fisiológica, fatores emocionais, hormonais e a ausência de uma reeducação alimentar estruturada fazem com que o peso perdido retorne, frequentemente acompanhado de um acúmulo adicional de gordura. O resultado dessa oscilação frequente é o prejuízo à saúde metabólica, a elevação dos riscos cardiovasculares e a frustração emocional do paciente.
Diretrizes do CPAH para a conduta profissional
Para fundamentar a orientação oferecida aos pacientes, o CPAH estabeleceu cinco condutas essenciais para a prática clínica e prescreve a atuação de profissionais da área:
- Eliminação de dietas radicais: Adoções de mudanças drásticas desaceleram o metabolismo e falham no longo prazo.
- Incentivo à reeducação alimentar: Prioridade para refeições equilibradas, com ampla variedade de nutrientes e sem restrições severas.
- Prática regular de atividade física: O exercício contínuo mantém a taxa metabólica, favorece o controle do peso e melhora o estado emocional.
- Controle do sono e do estresse: A privação do descanso e o estresse crônico alteram a produção hormonal, favorecendo o depósito de gordura.
- Acompanhamento multiprofissional: Atuação de nutricionistas e educadores físicos para a construção de estratégias personalizadas e condizentes com a realidade do paciente.
Sustentabilidade e mudança de comportamento
A reversão do efeito sanfona é plenamente possível mediante a substituição de dietas temporárias por transformações consistentes no estilo de vida. O CPAH e a especialista Dani Borges reforçam que ações graduais e sustentadas geram um impacto positivo muito superior a intervenções agressivas de curta duração.
“Mais importante do que perder peso rápido é manter a saúde e o equilíbrio no longo prazo. O emagrecimento precisa ser a consequência de uma vida saudável, e não o contrário”, conclui Dani Borges.


