Amazonas entra na Mostra do Filme Marginal

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Com o tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”, evento no Rio de Janeiro reúne filmes das cinco regiões do Brasil e de outros países.

Programação vai de 15 a 24 de outubro, incluindo três produções amazonenses, com destaque para longa-metragem realizado por mulheres indígenas com apoio de Estevão Ciavatta.

De 15 a 24 de outubro, o Rio de Janeiro recebe a 6ª Mostra do Filme Marginal, que, nessa edição, propõe um olhar sobre as urgências e os desafios ambientais por meio do cinema. Com o tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”, a mostra reúne 123 filmes nacionais e internacionais, com exibições gratuitas em diferentes pontos da cidade. Entre longas, médias e curtas-metragens, o público terá acesso a produções independentes dos mais variados gêneros e linguagens: ficção, documentário, cinema experimental, ficção científica, animação, realismo fantástico e terror.

Há produções de todas as regiões do país, com destaque para os estados do Rio de Janeiro, que entra com 20 filmes; São Paulo, com 18; Rio Grande do Norte, com 10; Bahia e Pernambuco, com oito cada. O Amazonas apresenta-se com três filmes, incluindo um longa-metragem realizado por mulheres indígenas Mundukuru, com apoio do renomado diretor Estevão Ciavatta, e dois curtas.

As obras selecionadas trazem reflexões sobre a crise climática e seus impactos sociais, culturais e políticos. Temas como aquecimento global, racismo ambiental, direito à terra, moradia, direitos indígenas, feminismo e diversidade sexual compõem a programação, colocando em diálogo diferentes territórios, experiências e formas de imaginar o futuro. Toda a programação é gratuita.
 

Um longa e dois curtas do Amazonas

O destaque do Amazonas é o longa-metragem MUNDURUKUYÜ – A FLORESTA DAS MULHERES-PEIXE, realizado na Aldeia Sawere Muybu, no Pará, por mulheres indígenas. O filme conta com apoio no roteiro do renomado diretor carioca Estêvão Ciavatta, marido de Regina Casé. Nas margens do Tapajós, a floresta das mulheres peixe espelha a mitologia Munduruku, onde humanos, na origem do mundo, se transformaram em floresta, plantas e animais. No dia a dia da comunidade, os espíritos da floresta não são apenas forças espirituais ancestrais, mas parte da família. Quem assina a direção do documentário de 72 min. é Aldira Akay, ao lado de Beka Munduruku e Rilcélia Akay.

A ÚLTIMA RESERVA acompanha a luta de ribeirinhos extrativistas do Rio Jauaperi, no centro da Floresta Amazônica, pela preservação do território e sua biodiversidade. Essas comunidades enfrentam conflitos diários, como a seca, as mudanças climáticas e a pesca predatória de peixes e tartarugas. Guardiões da cultura ribeirinha, eles mostram os bastidores da pesca artesanal, extração de açaí, castanha e os meios criativos que utilizam para combater as invasões à recém-criada Reserva Extrativista do Rio Jauaperi e Baixo Rio Branco. Dirigido por Patrick Granja, o documentário de 30 min. contou com financiamento do Kings College London e apoio da AARJ da Associação dos Artesãos do Rio Jauaperi, Chiappini Filmes, Caliban Cinema e Conteúdo, Seven Generation & Pedrada Filmes.

Dirigido por Keila-Sankofa, de Manaus, CONFLUÊNCIA DOS OLHOS D’ÁGUA vem circulando com sucesso em diversos festivais de cinema no país e no exterior. O documentário de 13 min. aborda o encontro entre o progresso e a ancestralidade, tendo as águas como manifestação. A aparição Cabeça de Cabeças é uma reinscrição sobre as populações negras e indígenas na Amazônia. A conexão com o povo indígena nordestino Pankararu se dá diante do Rio Pinheiros, na cidade de São Paulo. Esse encontro deságua como resistência de quem decide permanecer, mesmo diante da grilagem urbana, do descaso com o corpo-morada e suas fontes de vida. Mesmo com as águas paradas a questão sobressai, o rio ainda está vivo? 

Destaques do ano

A abertura da 6ª Mostra do Filme Marginal será marcada pela estreia no Brasil do longa-metragem “Retorno a Fukushima” (Retour à Fukushima/Return to Fukushima), no Cinema Nosso, na Lapa. Dirigido pelo belga Thomas Licata, o documentário aborda a vida na cidade de Namie, na província de Fukushima, no Japão, mais de dez anos após o desastre nuclear de 2011.

Segundo Uilton Oliveira, idealizador da mostra, além da quantidade de filmes indígenas, especialmente dirigidos por mulheres, como ‘A Floresta das Mulheres-Peixe’, chamam a atenção nomes fortes na lista de diretores, como o de Leonardo Martinelli, carioca do Andaraí, que apresenta o curta “Samba Infinito”, que teve sua estreia em Cannes, no ano passado. Outro cineasta de destaque na programação é Alberto Sena, de São Gonçalo (RJ), que exibirá “Proteção”. De São Paulo, Thais Scabio e Gilberto Caetano participam com o longa de terror negro “Onde Estamos Seguros”, também exibido em Cannes.

Entre os filmes da programação que vem se destacando no circuito de festivais está “Capim Navalha”, documentário que retrata questões vividas por personagens trans na Chapada dos Veadeiros (DF), com direção do brasiliense Michel Queiroz. Nesse quesito entra também “Quanto Vale uma Década”, sobre os dez anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), dirigido pelo carioca Clementino Junior, fundador do Cineclube Atlântico Negro. “Os Arcos Dourados de Olinda”, do pernambucano Douglas Henrique, é outra produção bastante premiada em festivais no Brasil e no exterior. Muitas sessões incluem bate-papo com os realizadores, conforme a programação apresentada nas redes sociais da mostra, no site e Instagram.

Seis edições de cinema independente

A Mostra do Filme Marginal foi criada em 2017. Em sua primeira edição, 36 filmes foram inscritos e, neste ano, as inscrições chegaram a 356. A seleção dos filmes foi realizada pela curadoria formada por Leila Xavier, Milena Manfredini, Rosa Miranda, Rosy Nascimento e Uilton Oliveira.

“A mostra existe para promover a difusão do audiovisual independente, abrir caminhos, dar visibilidade e fortalecer narrativas que a sociedade muitas vezes tenta invisibilizar. É uma celebração da diversidade e da potência das vozes de nossas periferias”, afirma Uilton Oliveira, idealizador do evento.

“Entendemos o cinema como linguagem crítica capaz de dar visibilidade às populações que vivem na linha de frente dos impactos ambientais”, afirma a curadora Leila Xavier.

A 6ª Mostra do Filme Marginal é uma realização da Corpo Fechado, com apoio do Pró-Carioca Audiovisual 2026, Edital nº 2 – Apoio à Produção de Mostras e Festivais de Audiovisual, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), RioFilme.

SOBRE A MOSTRA

Desde que foi criada em 2017, a Mostra do Filme Marginal é uma iniciativa de difusão, reflexão, estímulo, autoformação e organização do público para um cinema popular, autoral e crítico. Por meio de parcerias com movimentos sociais e instituições culturais, tornou-se um importante espaço de divulgação de produções que trazem personagens e temáticas sociais, políticas e culturais diversificadas e marginalizadas pelo sistema sociopolítico vigente, com uma leitura crítica fora dos meios comerciais.

SERVIÇO

6a Mostra do Filme Marginal
Tema: Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível
Data: de 15 a 24 de outubro de 2026
Local: cidade do Rio de Janeiro (diversos locais, conforme programação)
Entrada franca
Programação: https://mostradofilmemarginal.com/programacao-2025/
Site: https://mostradofilmemarginal.com/

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