O mercado de fertilidade no Brasil vive um dos ciclos de expansão mais acelerados da saúde privada. Impulsionado pelo adiamento da maternidade, aumento da procura por congelamento de óvulos e avanço da reprodução assistida, o setor deve movimentar mais de R$ 3 bilhões em 2026, segundo estudo da Redirection International, que também projeta crescimento anual de aproximadamente 23% para o segmento.
O avanço consolida o Brasil como principal mercado de reprodução assistida da América Latina. Segundo a REDLARA (Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida), o país concentra 40% de todos os centros de reprodução assistida da região e lidera procedimentos como fertilização in vitro (FIV), inseminação artificial, transferência de embriões e congelamento de óvulos.
Com o mercado em expansão, clínicas e empresas de tecnologia começam a disputar um novo espaço dentro da medicina reprodutiva: o uso de inteligência artificial para tornar os tratamentos mais individualizados e informativos. Isso porque, apesar do avanço técnico da reprodução assistida nas últimas décadas, muitas pacientes ainda passam por processos como congelamento de óvulos ou FIV sem compreender claramente o potencial reprodutivo dos óvulos coletados ou as reais perspectivas do tratamento.
Historicamente, as decisões clínicas foram guiadas principalmente por fatores estatísticos, como idade da paciente, quantidade de óvulos recuperados e análises morfológicas tradicionais. Agora, empresas especializadas em fertilidade começam a aplicar inteligência artificial para ampliar a quantidade de dados disponíveis durante essa jornada.
Uma das companhias que atuam nesse segmento é a Future Fertility, empresa canadense especializada em IA aplicada à reprodução humana que também atua no Brasil. A companhia desenvolveu ferramentas que utilizam inteligência artificial para analisar imagens de óvulos e determinar sua qualidade e potencial reprodutivo, oferecendo relatórios complementares ao trabalho realizado por médicos e embriologistas.
Um dos principais relatórios da empresa, chamado VIOLET™, analisa imagens de óvulos coletados para congelamento, a partir de inteligência artificial treinada com milhares de casos clínicos. O objetivo é oferecer uma análise mais individualizada sobre o potencial dos óvulos, ajudando pacientes e especialistas a terem conversas mais embasadas durante o tratamento.
“O congelamento de óvulos evoluiu significativamente, mas as informações disponíveis para as pacientes nem sempre avançaram no mesmo ritmo. À medida que mais pessoas optam por preservar sua fertilidade, cresce a necessidade de informações mais personalizadas que ajudem cada paciente a compreender melhor seu potencial reprodutivo individual”, afirma Christy Prada, CEO da Future Fertility.
Além de alterar a experiência das pacientes, o avanço da IA também começa a impactar a dinâmica de negócios do setor. Clínicas de fertilidade passaram a investir em diferenciação tecnológica em um mercado cada vez mais competitivo.
“A inteligência artificial deve provocar na fertilidade uma transformação semelhante à observada em outras áreas da saúde, como radiologia e oncologia: menos decisões baseadas apenas em percepção subjetiva e maior apoio de dados ao longo da jornada clínica”, acredita Christy Prada.
Em um mercado cada vez mais orientado por dados, a fertilidade começa a seguir o mesmo caminho de outras áreas da medicina: menos decisões baseadas apenas em estatísticas populacionais e mais análises individualizadas mediadas por inteligência artificial.



