| Durante muito tempo, os tecidos foram vistos apenas como complemento na decoração. Hoje, assumem um papel importante nos projetos de interiores, direcionando a linguagem estética e o desempenho dos ambientes no dia a dia. Com o avanço das tecnologias têxteis, materiais mais resistentes, sofisticados e versáteis ampliaram as possibilidades de aplicação dentro das residências. Mais do que definir cores, texturas ou revestir mobiliário, os tecidos passaram a construir atmosfera, reforçar a identidade e modificar a percepção dos espaços. Estampas, tramas e composições têm impacto direto na leitura dos ambientes, entregando camadas que dialogam com a iluminação, revestimentos naturais e com o design do mobiliário. Para o designer de interiores Fabricio Frezza e o arquiteto Gabriel Figueiredo, à frente da Frezza & Figueiredo Arquitetura e Interiores, a escolha dos tecidos parte sempre da relação entre uso, conforto, identidade visual e durabilidade. “A principal é a composição do tecido, alinhando a necessidade com o local de aplicação”, explicam. A escolha do tecido começa pelo uso do ambiente |
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| Ao lado da janela do dormitório deste projeto da Frezza & Figueiredo Arquitetura e Interiores, a poltrona Beatriz, assinada por Aristeu Pires, aparece revestida de lona em tom concreto, um tecido resistente à incidência solar e pensado para preservar a durabilidade da peça | Foto: Carolina Mossin |
| Segundo a dupla, cada ambiente exige características específicas. Em áreas íntimas como dormitórios, a prioridade costuma ser por tecidos naturais, leves e agradáveis ao toque, capazes de proporcionar maior conforto térmico e visual. Linho, algodão e tecidos mistos aparecem frequentemente em roupas de cama, almofadas e cortinas. “Nas áreas íntimas, conseguimos trabalhar com versões que sejam mais leves e fáceis de manusear. Isso inclui cortinas de linho misto, que não amassam tanto e permitem um ambiente mais iluminado”, comentam. Os profissionais destacam ainda que os tecidos ajudam a construir a personalidade dos ambientes. Alguns padrões de estampas como botânicas, listrados, xadrezes e referências ligadas ao estilo de vida dos moradores aparecem como ferramentas importantes para vestir os ambientes. Áreas sociais e gourmets pedem tecidos mais resistentes |
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| Na área externa desta residência assinada por Fabricio Frezza e Gabriel Figueiredo, foram definidos tecidos tecnológicos próprios para uso náutico, resistentes à água, ao sol e à umidade. As poltronas ‘flutuantes’ receberam materiais específicos para áreas externas, desenvolvidos originalmente para barcos e marinas, garantindo alta durabilidade sem comprometer a estética | Projeto: Frezza & Figueiredo Arquitetura e Interiores | Foto: Carolina Mossin |
| Na área social, gourmet e lazer, os critérios, segundo os profissionais, são resistência, pouca manutenção e durabilidade, que norteiam as especificações, principalmente em casas com pets, crianças ou grande fluxo de uso. “Hoje as opções de tecidos outdoor não possuem mais aquela aparência de tecido só para área externa. Visualmente, muitas vezes, não dá para identificar se é in ou out”, afirmam Fabricio e Gabriel. Os tecidos tecnológicos e impermeabilizados ganharam espaço justamente por aliar desempenho técnico com estética refinada. Materiais desenvolvidos originalmente para barcos, lanchas e áreas náuticas passaram a ser incorporados aos projetos de interiores contemporâneos devido à resistência ao sol, umidade e facilidade de manutenção. “A inovação nos tecidos expandiu muito e contamos com opções extremamente tecnológicas e que suportam gordura, vinho, umidade e uso intenso sem perder em nada na qualidade estética”, pontuam. O equilíbrio entre as texturas é essencial para a composição |
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| Neste living executado por Fabricio Frezza e Gabriel Figueiredo, a composição aposta em sobreposições sutis de texturas e tons neutros. O par de poltronas, à esquerda, recebeu um tecido com uma releitura contemporânea do antigo chenille, em uma mistura de cinza e branco, trazendo uma estética vintage. O sofá principal aparece em linho misto em cinza sóbrio, enquanto as almofadas introduzem tramas mais marcadas em algodão. O tapete kilim geométrico traz o colorido e funciona como elemento de conexão entre todos os materiais | Projeto: Frezza & Figueiredo Arquitetura e Interiores | Fotos: Carolina Mossin |
| Fabricio e Gabriel contam que costumam trabalhar a composição com tramas, texturas e apostam em dar o peso visual nos tecidos para construir ambientes mais sensoriais. “Há sempre o protagonista e o coadjuvante nas escolhas dos tecidos e nossa função é equilibrar esses papéis o tempo todo”, explicam. Esse pensamento também aparece na construção dos moodboards. Quando o projeto já possui materiais marcantes como pedras naturais, madeira ou revestimentos, os tecidos tendem a seguir uma linha mais leve e sutil. Já em bases mais neutras, as texturas ganham maior liberdade. “Quando não temos tantas texturas no projeto ou mobiliário, conseguimos abusar mais de texturas nas escolhas dos tecidos”, afirmam. Os tecidos precisam acompanhar a rotina da casa |
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| O sofá desta sala de TV elaborado por Fabricio Frezza e Gabriel Figueiredo recebeu uma capa removível em sarja leve, facilitando a manutenção no dia a dia. As poltronas Flexa, de Carlos Motta, aparecem em couro natural conhaque trançado, enquanto o puff central explora uma textura em tecido misto. O tapete em chevron com composição sintética foi escolhido justamente pela resistência necessária para um ambiente de apoio ao gourmet que recebe crianças | Foto: Carolina Mossin |
| Além do apelo visual, os tecidos precisam responder à dinâmica real do projeto. Para os profissionais, não basta especificar materiais sofisticados se eles não forem compatíveis com a rotina dos moradores. “Definitivamente nossa escolha não pode ser apenas contemplativa. Ela precisa também ser convidativa para ser usada”, interpretam.Outras questões como incidência solar, facilidade de limpeza, resistência ao desgaste e composição do tecido fazem parte da análise técnica antes da especificação. Em alguns casos, materiais sintéticos são incorporados justamente pela durabilidade e praticidade. “Atualmente, tecidos tecnológicos, couros ecológicos, entre outros materiais sintéticos, registram um resultado impecável e extremamente resistente”, observam. Tecidos também podem protagonizar os ambientes |
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| No ambiente apresentado na CASACOR São Paulo 2025, os profissionais à frente da Frezza & Figueiredo Arquitetura e Interiores trabalharam com tecidos que reforçaram a atmosfera nostálgica e acolhedora do espaço inspirado em um antigo hotel. O sofá original foi reformado e revestido em veludo blush com aparência levemente desgastada, entregando autenticidade e aspecto vintage à peça. O patchwork de tapetes com diferentes texturas e materiais convidava o visitante a experimentar o espaço de maneira sensorial | Foto: Carolina Mossin |
| Se antes eram vistos apenas como complemento estético, na decoração contemporânea, os tecidos assumem protagonismo. O crescimento e lançamentos do design têxtil e a aproximação entre moda e decoração ampliaram ainda mais esse movimento. “São duas áreas que seguem de mãos dadas”, dizem. Veludos com ar vintage, linhos com aspecto lavado, tramas naturais, estampas autorais, tecidos com maxi relevos e tecidos aplicados diretamente em paredes aparecem como recursos capazes de transformar completamente a leitura dos ambientes. Nos projetos de alto padrão, os tecidos também ajudam a valorizar peças de mobiliário já existentes. Reformar um sofá, uma poltrona ou uma cadeira com novos revestimentos permite atualizar os espaços sem perder a identidade original das peças. “O tecido renova o móvel e o ambiente”, finalizam. |








