A valorização profissional tem ganhado espaço nas estratégias de gestão de empresas que buscam ampliar a produtividade, reter talentos e construir resultados sustentáveis. Mais do que oferecer remuneração e benefícios, criar oportunidades de crescimento, reconhecer competências e investir no desenvolvimento dos funcionários pode fortalecer o vínculo entre equipes e organização, com reflexos no desempenho operacional e financeiro. Segundo o relatório State of the Global Workplace 2026, da consultoria internacional Gallup, apenas 32% dos trabalhadores brasileiros estão engajados no trabalho, enquanto a média global é de 20%. O levantamento considera dados coletados em 2025 e reforça o desafio das empresas de transformar o ambiente profissional em um espaço de motivação e desenvolvimento.
O impacto também aparece nos indicadores econômicos. De acordo com a Gallup, organizações com altos níveis de engajamento entre os funcionários registram, em média, produtividade 18% maior e lucratividade 23% superior às empresas com menor engajamento. A consultoria estima ainda que o baixo envolvimento profissional tenha provocado perdas de aproximadamente US$ 10 trilhões em produtividade na economia mundial em 2025, o equivalente a 9% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Os números evidenciam que investir nas pessoas não deve ser visto apenas como uma despesa de recursos humanos, mas como parte da estratégia de competitividade e eficiência dos negócios.
Em Manaus, o Grupo Gérbera_+ é um exemplo de organização que coloca o desenvolvimento profissional entre os pilares de sua trajetória empresarial. Com atuação no comércio de cosméticos e perfumaria, o grupo reúne operações de marcas como O Boticário, Eudora, Quem Disse, Berenice?, O.U.i e Share 365, além de uma rede de lojas e revendedores no Amazonas. A empresa alcança 46 municípios do estado, e o grupo recebeu a certificação Great Place to Work (GPTW), que reconhece ambientes de trabalho, pelo nono ano consecutivo. Fundado pelo empresário Rodrigo Waughan, o grupo apresenta o crescimento de seus profissionais como parte de sua cultura organizacional.
Entregando beleza em todo o Amazonas
Para o fundador, a valorização profissional representa uma via de mão dupla: o funcionário encontra espaço para desenvolver suas habilidades e construir uma carreira, enquanto a empresa fortalece suas equipes e amplia a capacidade de entregar resultados. “Quando uma pessoa percebe que pode crescer dentro da empresa, ela passa a enxergar o trabalho também como um projeto de futuro. Nosso papel como liderança é criar oportunidades, reconhecer o potencial de cada profissional e oferecer condições para que ele evolua. Esse desenvolvimento beneficia o colaborador, sua família, a equipe e o próprio negócio”, afirma Rodrigo Waughan. A proposta é estimular uma cultura em que dedicação, aprendizado e responsabilidade sejam acompanhados de perspectivas reais de evolução.
A trajetória de Jeane Brito ilustra como a mobilidade interna pode transformar uma oportunidade de entrada em uma carreira de longo prazo. Ela ingressou no Grupo Gérbera_+ em 2014, aos 19 anos, como consultora de vendas. Após quase cinco anos na função, tornou-se consultora líder, assumiu a gerência de uma unidade, passou a administrar duas lojas e, em dezembro de 2024, foi promovida a supervisora de lojas, cargo que exerce atualmente. “Cada mudança de cargo trouxe muito mais do que crescimento profissional. Foram anos de desenvolvimento, amadurecimento e aprendizado. Entrei na empresa muito nova e, ao longo desse caminho, fui entendendo que tinha realmente me encontrado profissionalmente”, relata. Após 12 anos de trajetória, ela destaca a paixão por trabalhar com pessoas, desenvolver talentos e buscar resultados como fatores que continuam impulsionando sua carreira.
Com mais de 14 anos no grupo, Davy Júnior, que ingressou na empresa em 2012, também encontrou na empresa oportunidades para ampliar seus conhecimentos e assumir novas responsabilidades. Ele começou como menor aprendiz, na área de logística, e passou por atividades como expedição, conferência, reposição, separação de mercadorias e faturamento, até chegar à função de analista de compras, com foco em análises. “Hoje consigo enxergar novas possibilidades de crescimento e vejo que tenho um plano de carreira dentro do grupo. Isso me motiva a continuar aprendendo, evoluindo e buscando novos desafios”, afirma. Para ele, as oportunidades recebidas ao longo dos anos foram determinantes para seu amadurecimento profissional e pessoal. Sua experiência também demonstra como a formação interna pode contribuir para aproveitar conhecimentos acumulados na operação e preparar profissionais para outras áreas da organização.
As histórias de Jeane e Davy mostram como a valorização profissional pode gerar benefícios que ultrapassam a promoção de cargo: amplia o conhecimento das equipes, preserva experiências importantes para o negócio e fortalece o comprometimento com os objetivos coletivos. Para as empresas, criar caminhos de crescimento exige liderança preparada, critérios claros de reconhecimento, capacitação e acompanhamento de desempenho. Para os funcionários, significa encontrar perspectivas para construir o futuro sem precisar buscar necessariamente em outra organização a próxima oportunidade. Em um mercado cada vez mais competitivo, o investimento nas pessoas pode se tornar um diferencial estratégico: quando o crescimento individual caminha junto com o desenvolvimento empresarial, os resultados tendem a beneficiar todos os envolvidos.


