Alterações climáticas pioram casos de pneumonia

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O Dia Mundial da Pneumonia é celebrado em 12 de novembro e tem como objetivo de divulgar a relevância da doença, destacar a importância da prevenção, do diagnóstico e tratamento precoces. A pneumonia é uma infecção pulmonar que pode ser grave e representa uma das principais causas de morte no mundo, especialmente em crianças. Os familiares precisam reconhecer os sinais que alertam para a possibilidade de uma pneumonia e buscar atendimento médico o mais rápido possível: febre persistente, prostração, respiração mais rápida e ofegante, dificuldade para se alimentar e tosse.

De acordo com os índices apresentados pelo estudo Global Burden of Diseases, Injuries and Risk Factors (GDB) em 2023, cerca de 2,5 milhões de pessoas, incluindo 610 mil crianças menores de 5 anos, foram a óbito por pneumonia no mundo. A pneumonia é a maior causa de morte por doença infecciosa em menores de 5 anos, ceifando a vida de mais de 700mil crianças por ano.

A mortalidade por pneumonia no Brasil ainda é alta. Em 2024 houve cerca de 118 mil mortes por pneumonia e as faixas etárias mais afetadas sempre são idosos (acima de 80 anos) e crianças pequenas. Nos últimos anos houve um aumento preocupante no número de casos, da ordem de 30%, principalmente no Sudeste do país, com mais de 659 mil internações. Durante o ano de 2025, nos meses de outono e inverno, o Governo do Estado de São Paulo computou cerca de 68 mil hospitalizações por pneumonia em menores de 5 anos. No Sabará Hospital Infantil, de janeiro a outubro de 20225, foram 600 crianças diagnosticadas com pneumonia e o número de internações ultrapassou 170 casos.

Os principais agentes causadores de pneumonia são os vírus respiratórios, entre eles o vírus respiratório sincicial (VRS) e o influenza. Importante lembrar que a vacina contra influenza está disponível todos os anos, gratuitamente, no SUS. Pode ser aplicada a partir dos 6 meses de vida e está indicada a vacinação da gestante para proteção do bebê até que ele possa ser vacinado. A partir de novembro de 2025, as gestantes também poderão ser vacinadas contra o VRS no SUS. Nos países onde essa medida preventiva já foi adotada, a eficácia da vacinação na prevenção de formas graves da bronquiolite e suas complicações está em 80% para bebês até três meses de idade.

Entre os patógenos bacterianos relacionados a pneumonia, o GBD aponta o Streptococcus pneumoniae (pneumococo) como o mais frequente (28%). A comunidade médica e as pesquisas sobre pneumonias na infância buscam avaliar o comportamento do pneumococo e as melhores formas de prevenção e tratamento, visto esse ser o agente mais frequente. Aqui no Brasil e em outros países da América Latina e Caribe, existe um acompanhamento dos pneumococos isolados em pacientes com doenças invasivas por esse agente, como meningites e pneumonias. O Projeto SIREVA existe desde 1991 e o grande colaborador na coleta desses dados no Brasil é o Instituto Adolfo Lutz. Esse monitoramento é muito importante para avaliar quais os sorotipos de pneumococo estão circulando na nossa comunidade e, por exemplo, decidir qual a vacina mais indicada para os programas de saúde pública.

“Quase todas as mortes por pneumonia são evitáveis. As vacinas não conseguem acabar com a pneumonia infantil, mas podem evitas as pneumonias graves, que levam a internações”, explica a Dra Maria Helena Bussamra, responsável pelo Departamento de Pneumologia do Sabará Hospital Infantil.

Os dados do SIREVA também mostram que ao longo dos anos, a resistência do pneumococo aos antibióticos utilizados para tratamento, só aumenta. Isso afeta a escolha do tratamento empírico inicial dos casos de pneumonia e aumenta a chance de o paciente precisar de uma hospitalização para receber medicamentos mais potentes e de aplicação endovenosa.

Entre outras causas do aumento de casos de pneumonia e suas complicações, destacam-se as mudanças climáticas e a poluição ambiental. Os ambientes fechados durante o outono e inverno facilitam a disseminação de vírus e bactérias por gotículas respiratórias. Cerca de 2 bilhões de crianças de 0 a 17 anos vivem em áreas onde a poluição do ar externo excede os limites tolerados internacionalmente. Em 2024, a cidade de São Paulo ficou em primeiro lugar dentre as cidades mais poluídas do planeta durante algumas semanas. Ainda é preciso considerar os efeitos do tabagismo passivo na saúde respiratória das crianças. A saúde respiratória está intimamente relacionada ao ambiente onde a criança vive.

“Além da vacinação, outras ações podem auxiliar na prevenção de pneumonia como o aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida, responsável pelo fortalecimento do sistema imunológico, assim como alimentação saudável, prática de atividades físicas principalmente ao ar livre, que também contribuem para fortalecer imunidade e a redução da poluição do ar doméstico” finaliza a Dra. Miriam Eller, pneumologista pediátrica do Sabará Hospital Infantil”.

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