sexta-feira, 12 abril, 2024
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Amazônia Urbana: 21 artistas começam trabalho de grafitagem do Museu de Arte Urbana de Belém no Complexo do Ver-o-Rio

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O Museu de Arte Urbana de Belém começa a ganhar forma neste dia 05 de setembro, quando 21 artistas visuais iniciam o trabalho de grafitagem nos muros, fachadas e paredes de prédios localizados no Complexo do Ver-o-Rio. A iniciativa é uma ação voltada para a valorização e fortalecimento do movimento conhecido como Street Art – arte urbana,mas também integra uma série de eventos que vêm aquecendo o turismo na região amazônica em ritmo de prévia do que será a COP 30 – a capital paraense foi escolhida a sede do maior evento sobre mudanças climáticas em 2025. 

Serão cerca de 15 dias de grafitagem no MAUB, que promete ser um dos maiores museus a céu aberto do país. Os artistas que terão sua arte gravada nos espaços foram selecionados via edital publicado no site. O chamamento também incluiu, dentre as atividades a serem realizadas pelos contemplados, 14 oficinas de arte urbana para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, visitas guiadas gratuitas e um festival de música. A inauguração do complexo de obras está prevista para 24 deste mês com um grande festival de música e gastronomia. 

O projeto foi aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura e patrocinado pelo Instituto Cultural Vale e pelo Nubank, e conta com o olhar do renomado fotógrafo e curador de arte, William Baglione. 

“Além da altíssima qualidade dos artistas, conseguimos fazer um line-up inclusivo: são 12 nortistas, amazônidas, três nordestinos, quatro sudestinos, um silista e um centro-oestino. As mulheres também são maioria: 12 mulheres e nove homens”, diz Baglione”. “Foi muito interessante fazer a curadoria a partir de um edital público porque, apesar de termos convidado vários deles a se inscreverem, outros foram ótimas surpresas!” 

Foram levados em consideração, além da qualidade artística, a experiência, estilo e perfil de cada artista. Baglione ressalta que o maior painel medirá impressionantes 22 metros de altura por 56 de largura, demandando um artista experiente, cujo estilo seja compatível com o tamanho da obra.

Gibson Massoud, da Sonique Produções, responsável e idealizador do projeto, conta que agora seus esforços estão no festival do dia 24 de setembro: “Ao mesmo tempo em que uma parte da equipe está focada em dar todo o apoio aos artistas, outra está fazendo a curadoria do festival, que vai inaugurar o MAUB no dia 24 com muita música e gastronomia. Além, é claro, de um período de visitas guiadas pelas obras e oficinas para jovens em situação de vulnerabilidade social”.
 

WIRA TINI – AM

Graffiteira e muralista, trás em seus trabalhos sua raiz ribeirinha e amazonense, junto com o movimento urbano que vem do graffiti, compondo trabalhos que retratam a cultura e a vivência nortista. Foi a primeira mulher a fazer um festival de graffiti focando nas mulheres da região norte, atualmente, sua linha de trabalho é o surrealismo e pós impressionismo, criando o Surrealismo e Pós Impressionismo Amazônico. É idealizadora do primeiro festival de graffiti internacional para mulheres, o Graffiti Queens Festival. Em 2022, foi escolhida para representar o norte no projeto LIBERDADES do STF (Supremo Tribunal Federal) em Brasília.

THAIZIS (THAIZIS BENLOLO LEITE) – AM

Seu contato com o universo artístico surgiu na infância: brincadeiras que envolviam desenho sempre foram suas favoritas. Em 2009 começou sua jornada no movimento do graffiti, deixando sua arte nas ruas da cidade de Manaus com um estilo autêntico, inspirado pela natureza e pelo sagrado feminino. Suas obras são compostas por efeitos que simulam o universo místico. Linhas infinitas, curvas livres e espirais são traços e representações mais presentes e significativos em sua arte. É formada em Design de Interiores e trabalha desenvolvendo suas pinturas autorais e personalizadas em tela, ilustração, lettering e muralismo.

AMANDA NUNES (AMANDA NUNES DA SILVA) – DF

Desenvolve uma investigação acerca da trajetória de um corpo multiracial, feminino e periférico, sintetizado em sua obra como um corpo cinza, que conjuga com diversos elementos simbólicos da cultura popular brasileira e da iconografia cristã, carregando sua história na pele. Sua produção assumidamente Neo Naïf tem pressa e necessidade de falar e ser ouvida através das imagens, desobedecendo normas e técnicas academicistas, recria e conta histórias com início, meio e fim, transitando pelo universo ordinário e onírico, consegue conduzir o olhar do observador pela narrativa através da escolha dos símbolos, da composição e das cores.
 

AND SANTTOS (ANDERSON JOSÉ FAVACHO DOS SANTOS) – PA

Autodidata, o artista visual possui estética realista e surrealista no meio da arte plástica e do graffiti. Mora em Belém do Pará, mas nasceu no município de São Caetano de Odivelas e teve sua infância à beira do Mojuim, onde passou a maior parte de sua adolescência produzindo, abrindo letras em canoas e barcos. O interesse pela arte surgiu quando começou a usar as trinchas, sprays, tintas e pincéis, em telas, painéis, fachadas de comércios, barcos de pesca, cenários e muros urbanos, identificando suas próprias técnicas e linguagem.
 

CELY FELIZ (MARCELY GOMES FELIZ) – PA

A artista de rua paraense, marajoara, amazônida Transborda brasilidade em sua arte através do Graffiti desde 1999. Desenvolve diálogos sobre a violência contra mulher, seja física, verbal, institucional entre tantas outras formas de opressão. Atualmente, desenvolve o projeto que circula pelas localidades, descentralizando a produção do graffiti da ideia de urbano. Possui pós em Relações Étnico Raciais e pela UFPA (Universidade Federal do Pará) e ainda é ilustradora, designer e professora de Artes Visuais.
 

DERLON (DERLON ALMEIDA DE LIMA) – PE

Atraído pela arte urbana na adolescência, em especial pelo graffiti, tem uma relação com as artes diretamente ligada a imagem gráfica, baseando-se na estética da xilogravura popular e investindo na expressividade de traços simples e reduzidos. Na maioria das obras, usa a cor preta sobre fundo branco com o intuito de reduzir traços e acentuar o poder comunicativo deles para criar suas obras.
 

GHASPER (ANDERSON SOUSA DA SERRA) – PA

É grafiteiro, tatuador, fundador e integrante da crew RPC (Resistência Periférica Crew), em Belém-PA. Começou a grafitar em 2007, se aperfeiçoou através de cursos de iniciação ao desenho, desenho de figura humana, pintura em aquarela, pintura em mural e serigrafia. Participou do primeiro encontro nacional de graffiti do estado em 2014 o reduto Wall e dos projetos no estado como Street River a primeira galeria fluvial do mundo.
 

JAMAIRA PACHECO (JAMAIRA SANTOS PACHECO) – BA

Mulher negra, nordestina, expressa suas raízes e buscá-las na expressão em forma de arte. Possui um trabalho feminina e feminista, procurando representar seu eu. Faz parte do DROM, uma dupla de muralistas, com Santiago Panichelli.
 

JULIA FURUYAMA (JULIA DU BOIS DE FURUYAMA) – SP

Ex aluna Waldorf e empreendedora, Júlia é uma artista desde 2012 e é apaixonada por livros e mãe de duas pequenas. Atualmente participa do ProAC 41413, projeto gráfico, ilustração e assistência de produção. Desenvolve projetos de murais públicos e há seis anos fundou a Con Papel onde cria trabalhos em aquarela. Mora na região de Angatuba, interior de São Paulo, e graças ao amor pela literatura e o contato com crianças no dia a dia rural visa unir essas áreas ao universo artístico por meio de ilustrações de livros infantis e intervenções em espaço público.
 

KADOIS (JONATAS DE AMORIM BRANCHES) – PA

Santareno e um dos filhos mais novos de uma linhagem de oito, começou a desenhar na infância, tendo como foco a natureza, a fauna, a flora e os povos da região. Traços, cores, significado e formas do graffiti foram se aperfeiçoando ao longo do tempo. Suas obras tem grande inspiração nas belezas amazônicas.
 

LUNA BASTOS (ALANA SOARES DE CARVALHO BASTOS) – PI

Nascida no Piauí, Luna atualmente residente do Rio de Janeiro. A artista urbana, tatuadora e ilustradora, considera a arte como ferramenta para criar novas possibilidades de ser e estar no mundo. Trabalha com diferentes suportes e expressa emoções e sentimentos através de personas e figuras humanas em múltiplas vivências, destacando a importância da representatividade para reconstruir e ressignificar a identidade negra.
 

MOKAMPIS = MOKA + CAMPIS
 

MOKA (MOARA BANDEIRA NEGREIROS) – AC

Acreana, é designer, mas decidiu sair das paredes do escritório da agência onde trabalhava para dar vida aos muros da cidade. A artista não se limita ao convencional na hora de rabiscar os traços no papel, e usa o branco das paredes para encher de colorido e dar a sua cara ao projeto. Em trabalhos mais recentes, fez parceria com a também artista, Gabriela Campelo. A dupla assinou a revitalização do Mirante localizado no novo Complexo Turístico do Canal do Jandiá, de frente para o rio Amazonas.
 

CAMPIS (GABRIELA SOUSA CAMPELO) – PA

Nascida no Estado do Pará, mora em Macapá e grafita desde 2013, quando conheceu a arte urbana durante um mutirão em sua escola. Sua arte nos muros, residências e prédios possui cores vibrantes e ondas caprichosamente desenhadas.
 

LUIS JR (Luis Júnior) – PA
Abridor de letras decorativas da Amazônia, vive do ofício há 27 anos. É um apaixonado por pinturas nos portos de Belém e municípios próximos.
 

MAMA QUILLA (ISABELA DE BRITO LIMA) – PA

Artista paraense especializada em pinturas murais e telas. Sua vida foi marcada por vivências da Amazônia e por adversidades sociais enfrentadas como a maioria das periferias brasileiras. Com amor, pincéis e tintas faz uma releitura do cotidiano, levando assim para residências e ambientes de trabalho a tranquilidade, questionamentos e inspirações que somente a arte pode nos proporcionar. O autismo do seu filho proporcionou um novo olhar sobre a vida, o que também influenciou em seus trabalhos, e assim sendo a maternidade um dos temas que mais aborda nas suas obras.
 

PATI RIGON (PATI RIBEIRO RIGON) – RS
Multi-artista, trabalha com pintura, ilustrações, grafites, performances, tatuagens e tarot. Também é modelo e militante trans-intersexo brasileira, teve sua formação em Design pela UFRGS e pela Politécnica de Turim, POLITO – Itália. Iniciou sua carreira nas artes plásticas em 2015, tendo sua primeira exposição de pinturas a óleo hiper-realistas intitulada “Pele Agridoce”. Fez parte de diversas exposições, ações e salões de arte, nacionais e internacionais, solos e coletivas.
 

PRI BARBOSA (PRISCILA ALINE CANDIDO BARBOSA) – SP

A artista visual, muralista e ilustradora paulistana é graduada em Artes Visuais pela Belas Artes e possui extensões em Masculinidades Contemporâneas, Feminismo Pós-colonial na América Latina e O Estado e o Corpo, todos pela PUC/SP. Seu trabalho investiga a iconografia da mulher revolucionária contemporânea com foco na América Latina, construindo cenas para provocar o espectador através da oposição.
 

RAMON MARTINS – MG
Nascido em São Paulo, vive e trabalha em um sítio em Campina do Monte Alegre, no interior paulista. É bacharel em Artes Plásticas na Escola Guignard (UEMG). Seu espírito fluido constitui uma colagem de possibilidades e reconfigurações, refletindo uma essência profunda e rica rebeldemente criada por seu repertório de cultura urbana associado à reflexões acadêmicas. A trama de seu universo é reconhecida por temas e elementos das naturezas selvagens e tropicais, traços orgânicos, barroco mineiro, cultura urbana, tradição asiática, cultura Pop e seus opostos, solitude e retratos anônimos.
 

SANTO (JOSÉ SANTANA PINTO DE CARVALHO JUNIOR) – PA

Autodidata, atua como artista desde 2014 e trabalha com múltiplas plataformas dentro das artes visuais, produzindo artes efêmeras e com poéticas contemporâneas. A street art tem uma influência forte em seus trabalhos. Nascido e criado no bairro da terra firme, periferia da cidade de Belém, vem tentando democratizar a arte usando seu bairro como suporte. Já participou de várias exposições em galerias públicas e privadas, mas a rua é sua galeria principal e o melhor suporte artístico para expor seus trabalhos.
 

SEBÁ TAPAJÓS (SEBASTIÃO PENA MARCIÃO JUNIOR) – PA

Sebá carrega no nome não só uma linhagem artística de peso como orgulho das origens amazônicas. Convive desde sempre com as artes e resolveu se expressar através das cores, traduzindo-as em matizes que seu olhar daltônico assimilavam, tem formas inspiradas nos movimentos dos rios e nas cores da floresta. Em 2015, fez a capa do álbum e DVD de Lulu Santos e a primeira exposição individual de arte urbana em uma galeria de arte em um museu centenário no estado do Pará. É idealizador da primeira Galeria Fluvial do Mundo com reconhecimento do IPHAN (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), no meio da Amazônia paraense. 

THIAGO NEVS (THIAGO MELO DE TOLEDO) – SP
Inicia a carreira no final dos anos 90, quando sua relação com as ruas se intensifica através da pichação e do graffiti. O caráter transgressor e de apropriação que caracteriza essas vertentes são pilares de sua formação. Autodidata, Nevs remonta fragmentos de suas memórias e estudos, com pinceladas coloridas e traços simétricos que às vezes acompanham uma caligrafia vernacular. A harmonia de suas pinturas reforçam os valores da cultura popular e a importância de sua preservação.
 

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