Florestas em pé podem gerar bons negócios

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No Dia de Proteção às Florestas, e-commerce fundado em Manaus aposta nesse propósito há um ano e hoje conecta mais de dez fornecedores de artesãos amazonenses a todo o Brasil.

A Amazônia registrou em 2025 a menor taxa de desmatamento dos últimos onze anos: 5.796 km², queda de 11,08% em relação a 2024, segundo o Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros (BiomasBR), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O monitoramento mais recente do sistema Deter (Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real), que acompanha alertas mês a mês, mostra retração de 37,2% no acumulado entre agosto de 2025 e junho de 2026 frente ao ciclo anterior. Os números apontam, de acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, que a projeção para 2026 pode fechar com o menor índice de desmatamento desde 1988.

Por trás dessas projeções existe também um movimento que já tem tamanho de mercado. Um estudo da Nova Economia da Amazônia (NEA) analisou treze produtos da sociobiodiversidade, como açaí, castanha-do-pará, cupuaçu, mel de abelhas nativas e óleo de copaíba, entre outros, e estimou que essas cadeias já movimentam R$ 9 bilhões por ano, impulsionadas majoritariamente por comunidades tradicionais e agricultura familiar. A floresta em pé, cada vez mais, aparece como dado econômico, não apenas ambiental.

É nesse cenário que a Made in Amazon, plataforma de e-commerce que conecta artesãos amazonenses a consumidores de todo o Brasil, completa um ano nesta sexta-feira, 17 de julho, data que marca também o Dia de Proteção às Florestas, o Dia do Curupira. A coincidência, segundo a fundadora Pamela Mota Oliveira, não foi planejada, mas carrega um significado simbólico que atravessa o propósito do negócio desde o início: “Foi uma coincidência simbólica e feliz. Esse é um dos propósitos do Made in Amazon”, afirma.

Uma proposta que já reúne mais de dez fornecedores

Atualmente, a Made in Amazon, fundada por Pamela Mota Oliveira e o esposo Orsine Oliveira Júnior, reúne mais de dez fornecedores, cada um à frente de sua própria equipe de artesãos, distribuídos por municípios como Manaus, Parintins, Careiro Castanho, Novo Airão, Maués e Apuí. O primeiro ano de operação, segundo a fundadora, foi marcado por um trabalho de consolidação, com crescimento mês a mês, tendo como ponto alto o lançamento da coleção Raízes. “Esse nosso primeiro ano foi marcado por um trabalho de consolidação que veio crescendo todos os meses. A nossa coleção Raízes foi pensada com muito carinho e foi um sucesso”, resume.

Marchetaria e centros de mesa: a floresta como matéria-prima

Entre as técnicas trabalhadas pela marca, marchetaria, trançados, bordados, velas e centros de mesa, Pamela destaca duas como as que mais expressam o compromisso com a floresta em pé: “Acredito que sejam a marchetaria e os centros de mesa. Eles extraem fortemente o que é da floresta, desde a madeira recolhida nos rios até os caroços e miçangas de frutos da Amazônia”, explica.

Antes de chegar à casa do consumidor, cada peça da curadoria Made in Amazon percorre um caminho feito de técnica, tempo e dedicação. Tudo começa nas mãos dos artesãos: são eles que transformam matérias-primas da Amazônia em peças que carregam textura, identidade e história.

Essa relação direta com a matéria-prima também aparece na forma como a marca enxerga seus parceiros artesãos. “Todos eles carregam um pouco dessa tradição, seja na culinária, seja numa técnica. E quando colocam isso junto com a arte, temos resultados lindos e cheios de significado. O resultado é uma coleção que reúne conhecimento, matéria-prima e talento: peças feitas para serem vistas, tocadas e vividas no dia a dia”, diz Pamela.

Bioeconomia como caminho de desenvolvimento

Para a fundadora, a Made in Amazon se insere em um projeto maior de posicionamento do Amazonas na economia baseada na floresta. “Queremos contribuir para um modelo de desenvolvimento que mantenha a floresta viva, fortaleça as comunidades locais e posicione o Amazonas como referência mundial em inovação baseada na sua biodiversidade e riqueza”, afirma.

Pamela explica que o trabalho desenvolvido nos bastidores está harmoniosamente sincronizado com a proposta da plataforma. “Um exemplo: diferentes madeiras são cuidadosamente cortadas e encaixadas. As cores naturais da floresta se encontram para formar desenhos únicos, revelando detalhes que só o trabalho manual consegue alcançar. Nos trançados, outro exemplo, as fibras ganham forma em movimentos precisos. Cada trama cria relevo, profundidade e uma conexão direta com saberes transmitidos ao longo das gerações”, pontua a empresária.

Próximos passos: expansão além do Amazonas

Para os próximos doze meses, a marca planeja ampliar sua presença para além das fronteiras do Amazonas. “Queremos fortalecer ainda mais nossa presença levando nossa identidade cultural; ampliar nossa rede de artesãos para fora do Amazonas, para outros estados da região amazônica, além de investir ainda mais em rastreabilidade e na comunicação do impacto gerado por cada produto”, projeta Pamela.

Ao resumir o significado desse primeiro ano, a fundadora escolhe uma frase que sintetiza o propósito da marca: “Queremos fortalecer a ideia de que a floresta em pé gera valor, oportunidades e futuro, transformando a riqueza da Amazônia em desenvolvimento sustentável para quem vive dela”.

Sobre a Made In Amazon

Plataforma de e-commerce fundada por Pamela Mota Oliveira que conecta consumidores a produtos autorais inspirados no patrimônio cultural e natural da Amazônia. Reúne peças feitas com técnicas manuais tradicionais como marchetaria, trançados, bordados, velas e centros de mesa, valorizando a produção artesanal amazonense e fomentando a bioeconomia regional.

A venda é feita por loja própria online, sem intermediários, com a narrativa e o processo criativo de cada peça apresentados diretamente ao público. Entre os destaques está a coleção Raízes Parintins, inspirada no Festival Folclórico de Parintins.

Em 17 de julho de 2026, a marca completa um ano, data que coincide com o Dia de Proteção às Florestas (Dia do Curupira), reforçando o vínculo entre a marca e a preservação da floresta.

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