terça-feira, 28 maio, 2024
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Geração sobrecarregada não deve deixar a saúde de lado durante a pandemia

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No Mês da Mulher é essencial abordar seu novo papel na sociedade. É de conhecimento público o aumento da presença da mulher no ambiente profissional e cada dia com maior expressividade em cargos de liderança. Porém, durante a pandemia, é possível verificar o acúmulo de funções, gerando uma sobrecarga com o acúmulo e pressão do trabalho associadas às tarefas domésticas, aulas online, dedicação integral aos filhos, entre outras. Levantamento, feito pelo Gênero e Número e Sempreviva Organização Feminista, apontou que 50% das mulheres entrevistadas passaram a cuidar de alguém na pandemia. Essas mudanças na rotina e no estilo de vida, quando muitas hoje são responsáveis pela renda familiar, trazem consequências diretas à saúde, com aumento do risco e problemas cardíacos.

“Sabemos que, historicamente, os cuidados são responsabilidade da mulher e essa pesquisa destaca a gravidade do tema. As mulheres estão se desdobrando para dar conta de tudo, porém não podem deixar de lado sua própria saúde cuidando apenas dos outros”, avalia a cardiologista Rica Buchler, da Clínica Buchler. “O medo do contágio fez com que muitos abandonassem seus tratamentos ou deixassem os cuidados de lado. Porém, ressalto que é possível continuar suas tratativas seguindo os protocolos de segurança que o momento exige. É preciso atenção aos sinais”, explica.

As mulheres estão sujeitas aos mesmo fatores de riscos de problemas cardíacos que os homens, como hipertensão, diabetes, tabagismo, mercado de trabalho estressante, entre outros. Mas existem fatores inerentes à mulher que podem aumentar essas probabilidades, como: menopausa precoce, retirada cirúrgica dos ovários, partos prematuros, hipertensão na gravidez e ganho acentuado de peso durante a gestação, quando mantido por mais de 1 ano. Além disso, devido à menopausa e ao sedentarismo com o avanço da idade, o ganho de peso passa a contar como fator de risco.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são responsáveis por 1/3 de todas as mortes de mulheres no mundo. São mais de 23 mil por dia, ou seja, 9,5 milhões de óbitos por ano. Segundo o Ministério da Saúde (MS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortalidade entre as mulheres sendo, a primeira delas, o AVC (Acidente Vascular Cerebral) e a segunda, de infarto. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) aponta que a cada dez mortes por infarto, seis são mulheres, com 50% maior a probabilidade de infarto em comparação aos homens.

“É importante reforçar que as mulheres costumam apresentar sintomas diferentes, além da dor no peito, em casos de ataques cardíacos. Alguns sinais, que muitas vezes não são levados em consideração e podem ser associados com mal-estar, podem ser prejudiciais ao coração, como náusea, indigestão, dores nas costas, cansaço, queimação e dores no estômago”, conta a especialista.

Estudo baseado nas Estatísticas Cardiovascular Brasil: 2020, da SBC, mostrou uma predominância de doenças cardiovasculares muito maior nas mulheres jovens, entre 15 e 49 anos, com prevalência das mortes por doenças isquêmicas, como o infarto do miocárdio. Entre as brasileiras, principalmente acima dos 40 anos, as cardiopatias chegam a representar 30% das causas de morte, a maior taxa da América Latina. A maioria das mulheres faz dupla ou tripla jornada e isso eleva o estresse. Quando associado a uma alimentação desequilibrada, sedentarismo, tabagismo e consumo em excesso de bebidas alcoólicas, podem levar a sérias consequências.

“É preciso cuidar do coração, as estatísticas mostram que as doenças cardíacas no público feminino já ultrapassam o câncer de mama e de útero. Isso é muito grave”, alerta a dra. Rica Buchler. “Vale lembrar que os métodos de prevenção vão além do controle de fatores de risco, como pressão arterial, diabetes e colesterol. As mulheres precisam ter uma rotina de visitas ao cardiologista assim como a realizada com a ginecologista. O check-up é um grande aliado”, finaliza.

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