Recorde: 8 mil quelônios são soltos no Rio Jauaperi (AM / RR), em ação de conservação

Em

AARJ – Associação dos Artesãos e Extrativistas do Rio Jauaperi, em parceria com Expedição Katerre e o Mirante do Gavião Amazon Lodge, devolveram ao Rio Jauaperi, na divisa dos estados do Amazonas e Roraima, quase 8 mil quelônios ameaçados pela captura predatória. 

Em vigência desde 2010 e inserido no Programa Monitora do ICMbio e no PQA (Projeto Quelônios da Amazônia) do Ibama, o Projeto Bicho de Casco mobiliza integrantes de seis comunidades ribeirinhas ao largo de 100 quilômetros de rio. Os profissionais que se dedicam ao projeto são remunerados como uma forma de Pagamento por Serviço Ambiental (PSA), em seus diversos ofícios: piloteiro, vigilantes, coordenadores. Para incentivar o aumento da quantidade de novos quelônios, além do salário mensal pelo período de vigília das praias, é adicionada uma recompensa extra por filhote que cumpre o ciclo de coleta, eclosão, e amadurecimento para soltura. E um  bônus de 10% do total gerado pela soltura para a comunidade que participou do projeto. 

Neste último ano, o projeto também passou a contar com o apoio da WCS (Wildlife Conservation Society), na orientação e aplicação de cursos de manejo e conservação da fauna, de maneira a aprimorar técnicas necessárias para que os resultados sejam cada vez mais satisfatórios e promissores.

MANEJO

É por volta de setembro quando as tartarugas chegam para a desova. Dá-se então a procura de rastros de quelônios e o início da fiscalização das praias. No momento certo, os ovos são cuidadosamente coletados e realocados em chocadeiras – sendo cada ninho identificado e numerado –, onde se desenvolverão longe de predadores e da ameaça de saques ilegais – até a eclosão. Com o devido registro de datas, depois de um período de 45 dias, entre janeiro e fevereiro, os filhotes estarão prontos e já fortalecidos para serem devolvidos em segurança à natureza. Esse processo aumenta as chances de sobrevivência dos animais, cuja taxa natural é de cerca de 1%. Contudo, sabemos que é ainda pouco perto da realidade de décadas atrás, quando em apenas uma praia, era possível observar ovos de quelônios na quantidade de milhões. 

ECOTURISMO 

A Expedição Katerre organiza uma saída especial no mês de janeiro para que os visitantes possam participar desta ação de conservação de soltura dos quelônios, em um roteiro de sete noites pelos rios Negro, Jaú e Jauaperi. Junto aos membros da AARJ Extrativista, eles acompanham a contagem e se emocionam com o momento de retorno dos filhotes às águas. Ruy Tone, um dos sócios da empresa de ecoturismo de base comunitária, fundada em 2004, incentiva a atividade como uma maneira de educar estes viajantes: “É uma forma de gerar consciência, e quando as pessoas retornam a esses ambientes,  passam a valorizá-los mais”, afirma Tone.

Compartilhar
Tags

Mais lidas

Recentes

Veja Mais

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.