Um novo estudo, publicado na revista I+D Internacional – Revista Científica y Académica, pode alcançar detalhes sobre as origens do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), associando-o a disfunções genéticas que afetam os principais neurotransmissores “aceleradores” do cérebro: o glutamato e o aspartato. A pesquisa foi liderada pelo neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela e conduzida em colaboração com os pesquisadores Adriel Pereira da Silva, Ricardo Santos Ferreira, Luiz Geraldo Alves da Cunha e Lincol Nunes Cruz, do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH).
O glutamato e o aspartato são neurotransmissores excitatórios essenciais para quase todas as funções cerebrais, incluindo aprendizagem, memória e, crucialmente, a atenção. O estudo explica que o TDAH pode surgir quando há um desequilíbrio na sinalização dessas substâncias, causado por variantes em genes específicos.
A pesquisa destaca dois genes principais:
- SLC1A1: Responsável por criar um “transportador” que remove o excesso de glutamato das sinapses. Uma falha neste gene pode levar a uma excitação descontrolada, contribuindo para a hiperatividade e impulsividade.
- GRIN2B: Codifica partes dos receptores NMDA, que são como “estações de ancoragem” para o glutamato agir. Alterações neste gene podem prejudicar a plasticidade sináptica, afetando a capacidade de focar e o controle executivo.
Dr. Fabiano de Abreu, Pós-PhD em Neurociências e líder da pesquisa, explica que o TDAH pode ser visto como um espectro. “A gravidade dos sintomas pode depender do impacto dessas variantes genéticas. Alguns indivíduos, por terem uma disfunção mais acentuada na sinalização do glutamato, podem manifestar formas mais severas do transtorno. O cérebro, através da neuroplasticidade, tenta compensar essas falhas, mas nem sempre consegue neutralizar completamente os efeitos, o que explica a grande diversidade de apresentações clínicas do TDAH”, detalha.
O artigo também aborda o papel da alimentação. Embora uma dieta rica em proteínas forneça os precursores para a produção de glutamato e aspartato, ela não pode corrigir a falha genética subjacente. No entanto, os pesquisadores alertam que uma nutrição deficiente pode agravar os sintomas, tornando ainda mais difícil para o cérebro regular a sua atividade.
A pesquisa conclui que a compreensão destas bases genéticas e neuroquímicas é fundamental para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais eficazes, que devem focar na modulação dos circuitos cerebrais afetados, combinando abordagens farmacológicas e comportamentais.
O artigo “A relação entre os neurotransmissores excitatórios, como o aspartato e o glutamato, e o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)” pode ser consultado na revista I+D Internacional – Revista Científica y Académica.



