O escritor amazonense Wallace Abreu se prepara para lançar, neste mês de setembro, “Clotilde”, sua segunda obra literária voltada ao público infantil. Publicado pela Lagoa Edições, o livro chega ao público com produção editorial de Luciani Ceolin e ilustrações de Clayton Pereira, conhecido como Pingo. O lançamento será realizado nos dias 17 e 18 de setembro, na EETI Profª Maria Arminda Guimarães de Andrade, no bairro Coroado, e dentro da programação do 3º Festival Sesi Cultura Infância.
Depois de estrear na literatura infantil com “Buchuda”, Wallace retorna ao universo das crianças com uma história que trata, de maneira sensível, de temas como afeto, responsabilidade e a importância dos vínculos construídos com os animais de estimação. A nova obra é contemplada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Banco da Amazônia e realização do Ministério da Cultura.
Em “Clotilde”, a personagem-título é uma cachorrinha abandonada ainda filhote, dentro de uma caixa de papelão, na porta da casa de Bebeth e Simão. Acolhida pelo casal e tratada como filha, ela passa a viver cercada de carinho e atenção. A rotina, no entanto, muda com a chegada de Tiquinho, o novo integrante da família.
A partir daí, Clotilde começa a perceber a distância e a falta de atenção que surgem com as mudanças na casa. Em meio às tentativas de ser novamente notada, a personagem precisa aprender a lidar com um sentimento que, para ela, parece ter mudado. A narrativa acompanha sua busca por um novo lugar na família e propõe uma reflexão sobre como o amor e o cuidado precisam ser cultivados ao longo do tempo.
Para Wallace Abreu, a literatura infantil é uma ferramenta importante para abordar sentimentos e situações que fazem parte da vida cotidiana das crianças, criando possibilidades para que elas reflitam sobre suas próprias relações. “Clotilde nasceu do desejo de falar sobre afeto e responsabilidade de uma forma que pudesse tocar crianças e adultos. Quando um animal chega a uma família, ele passa a fazer parte dela e estabelece vínculos que precisam ser respeitados. A história fala sobre essa responsabilidade, mas também sobre as mudanças que acontecem dentro de uma casa e sobre como podemos aprender a compartilhar o amor”, afirma o autor.
A proposta também busca reforçar a ideia de que a relação com os animais de estimação não deve ser encarada como algo passageiro. Ao acompanhar os sentimentos da personagem, a obra apresenta às crianças uma reflexão sobre acolhimento, cuidado e compromisso.
A construção desse universo ganha força por meio das ilustrações de Clayton Pereira, o Pingo. Para ele, as imagens têm papel fundamental na narrativa infantil, ajudando a conduzir o imaginário do leitor e a materializar os sentimentos presentes na história.
“Eu compartilho da ideia de que as ilustrações também contam a história, direcionam o imaginário para um lugar quase físico. E, com ‘Clotilde’, não foi diferente. Tentei criar um universo fofo, mas que trouxesse esse sentimento de mudança que Clotilde passou: nos momentos do acolhimento, ao descobrir a sensação de ser amada e, depois, ao aprender a compartilhar o afeto com o novo parceiro de aventuras em casa, Tiquinho”, explica Pingo.
Incentivo à leitura – Além do lançamento, o projeto prevê ações de incentivo à leitura. Da tiragem inicial de “Clotilde”, 300 exemplares serão distribuídos gratuitamente a estudantes da rede pública de ensino de Manaus. A iniciativa será realizada por meio de ações educativas previstas para os meses de setembro e outubro.
A distribuição busca aproximar a literatura infantil do ambiente escolar e ampliar o acesso das crianças a novas histórias e experiências de leitura. A expectativa é que o livro possa ser utilizado não apenas como entretenimento, mas também como ponto de partida para conversas sobre sentimentos, convivência, cuidado e responsabilidade.
Outro diferencial do projeto é a preocupação com a acessibilidade. “Clotilde” contará com uma versão em braille, desenvolvida pelo Studio Braille, de São Paulo. Os exemplares serão doados integralmente para integrar o acervo da Biblioteca Braille do Amazonas e de outras bibliotecas públicas de Manaus.
A obra também terá uma versão em audiobook, que será disponibilizada em plataformas digitais. As iniciativas ampliam as possibilidades de acesso à história e buscam contemplar crianças cegas ou com baixa visão.


